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7 de agosto de 2011

A Televisão e a Violência o impacto sobre a criança e o adolescente

Recomendações


Abordagens Gerais

Por volta da metade dad década desde 1950, tem havido alaridos e clamores sobre os efeitos deletérios da violência na mídia para a saúde pública. Cada vez que os cientistas retornam a massa de conclusões confirmadores das pesquisas compiladas desde a última onde de preocupação do público, os políticos e legisladores propõem novas políticas para modificar a situação, as transmissoras, os produtores e os criadores de filmes lembram a Primeira Emenda da Constituição juram que estão apenas dando às pessoas o que elas querem, uma vez que ao final das contas, elas assistem, e então prometem ter preocupações mais cívicas e reduzir o conteúdo violento de suas programações de qualquer forma; e a onda de preocupação se vai ao mesmo tempo em que os negócios continuam como sempre.


Tentativas de fazer leis ou criar sanções mais severas que as já existentes destinadas a reduzir a quantidade, tipo e disponibilidade dos materiais violentos na mídia, mostraram repetidas vezes ser desapontadoras. Nos anos mais recentes, os esforços de saúde pública se voltaram para a educação pública e ao uso crescente de tecnologia. As anteriores incluíram campanhas de leitura para crianças e projetos designados para encorajar um maior envolvimento dos pais nas escolhas de mídia da família. A Academia Americana de Pediatria desenvolveu uma abordagem (a Equipe de Recursos de Mídia) de trabalho com a indústria de entretenimento para oferecer análises de roteiros e responder a questionários sobre a adequação do material proposto para crianças.

Os esforços tecnológicos incluíram, por exemplo, software [Net Nanny (Babá da Net), Cyberpatrol (Patrulha Cibernética) e Surf Watch (Observador do Surfe)] elaborados para evitar que certos materiais sejam acessados via computador, por exemplo, tentativas para restringir que certos jogos ou imagens sejam carregados ou a participação em grupos de conversação on line sobre tópicos específicos. Esta abordagem é limitada pela necessidade dos pais de aprender como comprar e/ou utilizar tal software e a habilidade freqüentemente observada das crianças e fornecedores on line de encontrar maneiras de escapar das restrições impostas pelo software.

Está em andamento um esforço semelhante para permitir a seleção dos programas da televisão. A Lei de Telecomunicações de 1996 exige a criação de um sistema de classificação da televisão e determina sua incorporação em todos os novos circuitos eletrônicos de televisão especializados (os chamados V-chips). Tais circuitos permitirão programas com classificações específicas, durante certos períodos de tempo, ou de estações selecionadas a serem bloqueadas a partir do mostrador. Embora certamente promissor, esse esforço será necessariamente limitado pela qualidade do sistema criado e pelo tempo exigido para que esses novos aparelhos de televisão substituam o estoque dos que não contêm os chips, bem como pela necessidade da consciência, educação, envolvimento e utilização do sistema de programação por parte dos pais.

A indústria da televisão recentemente concordou em aumentar a auto-regulamentação e criou um Grupo de Implementação do Sistema de Classificação da Televisão Infantil. Espera-se que esse processo, de certa forma modelado de acordo com o sistema de classificação dos filmes, já tenha um sistema em funcionamento em 1997. É válido observar, entretanto, que a indústria da televisão agiu somente quando confrontada com a ameaça de um sistema de classificação imposto pelo governo. Muitos constataram que o próprio sistema de classificação de filmes é deficiente (inclusive o da Associação Médica Americana), e considera-se que a tarefa de planejar um sistema de classificação de televisão significativo seja ainda mais complexa e desafiadora. Portanto, os consumidores devem continuar a ser vigilantes e não confiar exclusivamente nas garantias da indústria ou nos auxílios tecnológicos.

Em resumo, não há soluções rápidas despontando no horizonte. E esse fato ressalta a necessidade dos médicos darem a sua contribuição.

Sugestões para Médicos

Muitos médicos sentem-se desconfortáveis ou inseguros para desempenhar um papel na área dos efeitos da mídia sobre os pacientes. Alguns médicos não estão familiarizados com a literatura sobre o assunto ou não estão convencidos de que esta seja conclusiva ou persuasiva. Outros médicos sentem que as atividades das horas de lazer são opções pessoais, que é tarefa dos pais tomar decisões em favor de seus filhos, ou que os pacientes ou os pais ficarão ofendidos com as recomendações médicas. Finalmente, alguns médicos podem sentir-se desatualizados em relação aos programas de televisão, vídeos musicais ou jogos de computador e ficam relutantes para não parecer ignorantes ou fora de moda diante de seus pacientes mais jovens ou seus pais.

Existem, é claro, preocupações médicas semelhantes sobre várias questões de saúde pública e de prevenção, tais como atividade sexual, dieta, gravidez, violência familiar e abuso de drogas (entre outras). Nessas áreas, os médicos tentam educar seus pacientes sobre o estado atual de conhecimento, lacunas e tudo mais. Eles, com freqüência, têm que fazer perguntas difíceis, intrometidas e potencialmente embaraçosas e oferecem conselhos que poderiam não ser bem-vindos, levados em consideração ou mesmo gerar ressentimentos. Mas fazem essas coisas para melhorar a saúde de pacientes e famílias com base no conhecimento científico. Poucos pacientes ficam de fato desconcertados com perguntas feitas com tato em um contexto de cuidado e atenção e muitos pacientes expressam satisfação ou alívio por um médico ter tocado em um assunto sobre o qual eles mesmos tinham preocupações não externadas. Exemplos de algumas perguntas que o médico pode fazer são mostrados na Tabela 4, abrangendo o que alguns chamam de história de mídia.





Fazendo um Histórico de Mídia
§  Como você decide quais programas vai assistir?
§  Quais são as regras para assistir programas e filmes?
§  Por quantas horas por dia você vê televisão?
§  Há um limite quanto ao número de horas permitido por dia?
§  Alguma atividade deve ser realizada antes de ser permitido assistir televisão?
§  Quem assiste televisão?
§  Onde está(ão) o(s) televisor(es)?
§  Você faz refeições em frente da televisão?
§  Você faz lanches enquanto assiste? O que você come?
§  Até que horas você assiste televisão?
§  Quais são os programas mais assistidos na sua casa?
§  O que você assistiu ontem? E no dia anterior?
§  Existem regras a respeito de vídeos musicais? Video games?
§  Você utiliza um software de bloqueio na Internet?

Há três grandes papéis que os médicos podem desempenhar na resolução de questões de saúde relativas à mídia junto a seus pacientes, como educadores, como clínicos e como cidadãos.
Como educadores, os médicos têm a oportunidade de informar a todos os pais e crianças com idade suficiente para compreender muitas das informações contidas neste guia. Isso permite aos pacientes fazerem escolhas mais esclarecidas sobre a quantidade e o tipo de programas de televisão que assistem, a necessidade de envolvimento dos pais nas decisões sobre o conteúdo de filmes, vídeos musicais, jogos de computadores e video games, bem como o impacto das várias formas de mídia sobre os hábitos alimentares, atividade física e vida familiar em geral. Os médicos deveriam encorajar as crianças e os pais a aumentar seu conhecimento geral sobre a mídia e promover um crescente envolvimento dos pais quanto às atividades que envolvam a mídia. Finalmente, os médicos deveriam servir como modelos, utilizando aparelhos de televisão nas salas de espera de seus consultórios e clínicas somente para propósitos educacionais, bem como deixar à disposição literatura informativa sobre a mídia.

Como clínicos, os médicos têm a oportunidade de considerar o papel da mídia como parte de uma avaliação biopsicológica mais ampla quando estiverem avaliando problemas específicos. A análise de fatores de risco que contribuem para um caso de obesidade infantil poderia, por exemplo, incluir questões sobre a quantidade de televisão assistida, hábitos alimentares ao assistir a televisão e assim por diante. De forma semelhante, quanto às crianças que estão sendo avaliadas devido a comportamentos agressivos, de oposição ou hiperativos, ou devido a pesadelos ou outros distúrbios do sono, um questionamento sobre as atividades das crianças relacionadas à mídia violenta pode identificar um fator de reforço, que poderia ser modificado como parte de um plano de tratamento.

Finalmente, como cidadãos engajados, os médicos devem considerar o envolvimento em organizações médicas e atividades comunitárias, que buscam reduzir a superutilização da mídia pelo público e/ou a quantidade de violência e outros conteúdos problemáticos nas matérias da mídia. Isso pode incluir coisas como enfatizar esse assunto falando em encontros médicos, para pais ou grupos escolares, ou diretamente às crianças, juntando-se o observador da mídia local ao conhecimento sobre mídia ou a outros grupos (veja Fontes de Informação), ou apoiando ou participando de organizações nacionais que promovam esses objetivos. Muitos médicos têm trabalhado com educadores ou grupos de pais para defender a inclusão de conhecimento sobre a mídia ou capacidade de assistir criticamente os programas em currículos escolares. Finalmente, esforços dirigidos aos produtores de televisão, emissoras, publicitários, produtores de filmes, produtores de vídeos musicais, Congresso ou legisladores federais podem ser usados para promover conteúdos mais apropriados e menos violentos nos meios de comunicação.

                                          

6 de agosto de 2011

Por que os Adolescentes e os jovens entram nas drogas e como evitar que isso aconteça?

Os indivíduos que atravessam o limiar da infância começam a pensar sobre sua identidade. Questionam quem eles são e seu propósito na vida.


(o vazio existencial)

Uma das forças mais poderosas nas vidas dos pré-jovens é o desejo de pertencer a um grupo de amigos. Eles acham consolador buscar conselhos de amigos que os compreendem e se  solidarizam com eles—amigos que também estão na mesma  posição. Ao compartilhar suas idéias com os colegas, tem menos medo de serem ridicularizados ou de gozarem deles. Dado o desejo intenso do adolescente pertencer a um grupo de seus pares, o ambiente necessário  pode ser  criado juntando um grupo e sistematicamente guiado-o de maneira consistente. Em tal ambiente, é possível instilar neles aqueles princípios espirituais que direcionarão seus passos. Serviço à sociedade reforçará este conhecimento e desenvolverá suas capacidades.

Os jovens precisam sentir que eles pertencem a um grupo no qual são aceitos. Em tal atmosfera é possível para eles encontrar respostas às suas perguntas. Começam a formar sua visão do mundo ao expressar-se sem medo de censura ou do ridículo. Eles também aprendem a ouvir, falar, refletir, analisar, tomar decisões e agir de acordo com suas decisões. Como veremos mais tarde, aumentar o poder da expressão é um aspecto essencial do programa que visualizamos para os pré-jovens.

“É a esperança de ‘Abdú’l-Bahá que estas almas jovens na escola do conhecimento aprofundado sejam assistidas por alguém que as ensine a ter amor. Possamos todas elas, em todo o alcance do espírito, aprender bem a respeito dos mistérios ocultos- tão bem que, no Reino do todo-Glorioso, cada uma delas, como rouxinol dotado de fala divulgue em altas vozes os segredos do Reino Celestial e, como alguém que ardentemente ama, exprima seu extremo anelo e sua necessidade absoluta do Bem Amado.”  (The Compilatino of Compilation vol.I,p.272)

Tão importante quanto o grupo de seus pares, os pré-jovens necessitam de um ou mais indivíduos mais velhos que posam se tornar seus amigos verdadeiros, e que tentarão ajudá-los a descobrir seu próprio potencial espiritual. Com sua ajuda, eles precisam encontrar esperança e convicção e serem ajudados a proteger-se de se deixar seduzir pelas forças materialistas que estão tão poderosamente minando a estrutura da vida espiritual e social do homem. Em seus esforços para servir como monitores e conselheiros de grupos de pré-jovens, você precisará ouví-los, oferecer conselhos e, quando necessário, consolar. Você precisa acreditar em sua integridade, respeitá-los e demonstrar amor genuíno.

Nota-se que os jovens que há poucos anos estavam passando pela mesma fase de transição, freqüentemente demonstram ser excelentes monitores, ainda que indivíduos mais velhos também têm sido capazes de cumprir esta tarefa admiravelmente, Existe uma concepção popular de que as gerações de pessoas precisam ser separadas, cada uma de acordo com seus interesses próprios. Enquanto que em algumas circunstâncias se isto pode ser verdade, a idéia não pode ser levada a extremos. O monitor de grupo d e pré-jovens deve  compreender que enquanto o grupo precisa  de sua própria  identidade e experiência  de aprendizagem, seus  membros também devem ser integrados na comunidade como num todo.

O que o pré-jovem não precisa é de mais um adulto lhes tratando como crianças, forçando-os a fazer isso e aquilo, de acordo com uma perspectiva paternalista rígida. Eles precisam de uma pessoa madura que ajuda a criar um ambiente dentro do qual eles podem expressar suas perguntas, suas dúvidas, e onde eles podem investigar coisas. Eles precisam de adultos que podem compartilhar com eles suas experiências e conhecimentos de maneira despretensiosa.
O ambiente que está sendo criado é o de um grupo de amigos que aprendam juntos, servem sua comunidade juntos e se divertem juntos. Não é mais uma aula para assistir. Os jovens devem participar no grupo porque eles desejam e não porque são obrigados.

Hoje o “Materialismo gritante,” “ o apego as coisas mundanas que amortalham as almas dos homens; os tempos e ansiedades que distraem suas mentes; o prazer e os vícios que ocupam seu tempo, os preconceitos e animosidades que obscurecem sua perspectiva, a apatia e a letargia que paralisa suas faculdades espirituais” estão “ entre os obstáculos formidáveis” afirma o Guardião da Fé Bahá’í. Nossa habilidade para remover estes obstáculos dependera do grau no qual nós mesmos formos purificados destas “impurezas” libertos “destas preocupações triviais e ansiedades tormentosas” livres destes “preconceitos e antagonismos, vazio do egoísmo e repleto do poder curador e do poder sustentador de Deus.

Viver com Sentido

O Verdadeiro Sentido da Liberdade na Vida do Homem

(Preenchendo o vázio existencial)

“... Melhoram o indivíduo e tornam o mundo inteiro melhor...”

As leis trazidas pelos Manifestantes de Deus são para corrigir as más ações e costumes indesejáveis da humanidade. Melhoram o individuo e tornam o mundo inteiro melhor. Elas são uma grande bênção de Deus   ao homem.

Algumas pessoas pensam que a liberdade significa não ter leis para obedecer e fazer tudo aquilo que queiram. Bahá’u’lláh diz que a verdadeira liberdade está em obedecer às leis de Deus, pois somente a obediência a essas leis trarão a verdadeira felicidade, alegria, paz, saúde, segurança e muitas recompensas espirituais. Ábdu´l-Bahá diz que a verdadeira prisão para o homem é a prisão do seu “ego”. Somente obedecendo às leis de Deus  que o homem consegue se libertar da escravidão do “ego” e das paixões .Eis  o significado da verdadeira  liberdade.A obediência  é uma das leis  de Deus  mais importantes  e das mais difíceis  de seguir, mas a obediência  leva-nos mais próximos de Deus , e a proximidade de Deus é a maior bênção  neste mundo e no próximo.

Quem tiver conhecido a si próprio, terá conhecido a Deus. O homem deve conhecer o seu próprio eu, e conhecer aquelas coisas que conduzem a elevação ou ao aviltamento, à honra ou a vergonha, a influência ou à pobreza.Depois  do homem haver compreendido seu próprio ser e atingido a maturidade, então lhe é necessária a influência (ou a competência).

“O homem é, na realidade, um ser espiritual e somente quando vive no espírito é que é  ele verdadeiramente feliz.”-Ábdu´l-Bahá-

“A honra do homem é adquirida através do conhecimento de Deus; sua felicidade deriva do amor de Deus; sua grandeza depende de seu serviço a Deus. O maior desenvolvimento do homem é sua entrada no reino divino; e o resultado desta existência humana é o núcleo e essência da vida eterna. Enquanto possui a vida física, ele deve apoderar-se da vida espiritual e juntamente com a felicidade e confortos corpóreos, deve apreciar os prazeres e contentamento divinos; então será ele” a imagem e semelhança de Deus”, pois a imagem do Misericordioso consiste nos atributos do reino Celestial. - Ábdu´l-Bahá-

PONTO DE VISTA BAHÁ’Í SOBRE A PREVENÇÃO DO USO INDEVIDO DE DROGAS

         O presente artigo descreve alguns dos princípios que as comunidade bahá’ís levam em consideração ao elaborar programas para prevenção do uso indevido de drogas, e que se centralizam no indivíduo, na família e na sociedade. O indivíduo é ajudado a desenvolver um sentido de finalidade, um sentimento de amor próprio e de respeito aos demais, um estado de maturidade que lhe permita avaliar objetivamente as circunstâncias e postergar a gratificação imediata em favor de uma meta futura, um sentido de responsabilidade e uma orientação espiritual que lhe ajude a desenvolver uma atitude positiva para consigo mesmo e para com o meio ambiente.
         Os pais são orientados a promover o amor e a unidade, e uma forma de vida sem drogas, para que as crianças tenham um modelo são. Também se utiliza a experiência familiar para ajudar as crianças a enfrentar as tensões e outros problemas da vida cotidiana. Mediante a educação se fomenta uma atitude positiva da sociedade diante da saúde e ela é incentivada a promover atividades que tendam à supressão do isolamento.

INTRODUÇÃO
         O uso indevido de drogas e de álcool adquiriu proporções epidêmicas em várias partes do mundo. Os profissionais na área de saúde lutam contra esta epidemia, porém a tarefa de prevenir o uso de drogas continua sendo um problema cuja solução corresponde a todos os setores da sociedade. Milhares de pessoas de todas as idades se entregam a influência nefasta das drogas; o fazem por curiosidade, por prazer, ou para aliviar situações de tensão ou experiências penosas.
        Com a chegada da civilização moderna alimentando as expectativas humanas de segurança e de comodidade, porém estas expectativas se complicaram como conseqüência de um aumento das tensões sociais e da incerteza. A generalização dos problemas do uso indevido de drogas e do álcool. Especialmente entre a juventude, refletem esta evolução e indicam que muitas pessoas sofrem de uma crise interna.
        Segundo o ponto de vista Bahá’í, a resposta a esta crise interna deveria ser um programa de prevenção realista e sistemático que destaque a importância das atitudes para a solução de determinados problemas como o uso de drogas e o alcoolismo. Os especialistas do comportamento concordam em que as atitudes influenciam mais que o conhecimento na iniciação do comportamento. As atitudes são aprendidas no começo da vida e são adotadas como forma de vida. As atitudes adquiridas representam os valores de uma pessoa e os valores guiam a escolha pessoal de seu comportamento; por exemplo, a decisão de consumir ou não consumir drogas.

            A realidade pessoal é mais o pensamento do que matéria, portanto, o uso de drogas intoxicantes é um empecilho para o progresso da mente e da alma e se contrapõe diretamente ao significado e ao objetivo da vida.
           Nas Comunidades Bahá’ís, é dada particular importância à educação precoce e à vida familiar. O lar é considerado o lugar ideal para um efetivo trabalho de prevenção do uso indevido de drogas.
           Cotten, refletindo sobre as causas do aumento do consumo de drogas no mundo de hoje, se pergunta se a sociedade humana está vivendo uma das épocas mais críticas da história e se a angústia "É tão profunda que as multidões têm que consumir crescentes quantidades de produtos excitantes, estimulantes, depressivos (incluindo o álcool) e de outro tipo para sobreviver".
          Segundo Cotten houve muitos períodos desmoralizadores na história, como por exemplo, a queda do Império Romano, a idade das trevas e mais recentemente, as duas guerras mundiais; Porém não existem claras provas históricas de que o problema da droga fora antes tão agudo como agora. Sem dúvida, a humanidade nunca teve tantas oportunidades favoráveis de progredir como hoje em dia; além disso, a situação que impulsiona as pessoas a beberem e a drogarem-se está em seu próprio interior e não no mundo exterior. Cotten pensa que esta realidade interna, ainda que não tenha necessariamente correlação com o que sucede no mundo exterior, pode ser um reflexo de condições externas.
         Na opinião do autor, a insegurança e a dúvida internas de um indivíduo podem ser um reflexo do caos e da confusão externas, que são um dos muitos fatores que podem contribuir para iniciar o consumo de drogas. A sociedade contemporânea está sofrendo rápidas transformações que constantemente produzem confusão, incerteza, ansiedade e tensão. Estão desaparecendo os velhos conceitos e valores, e outros novos os substituem. Enfrentar as tensões num rápido período de transformação e desenvolvimento é um processo tedioso e o recurso ao álcool e às drogas oferece um atrativo caminho de escape.
         Nas comunidades bahá’ís a prevenção ao uso indevido de drogas requer a cooperação entre o indivíduo, a família e a sociedade.

RESPONSABILIDADE INDIVIDUAL
         Do ponto de vista da pessoa, ao se desenvolver um programa de prevenção deve se levar em consideração os princípios básicos que enunciam a continuação.

SENTIDO DA FINALIDADE DA VIDA
         Para aceitar plenamente uma ordem moral, a pessoa necessita ter um sentido de finalidade. Segundo os ensinamentos bahá’ís, o amor a Deus é um conceito que cuja base, a energia do egocentrismo de uma pessoa se orienta para o interesse e o bem-estar dos demais. Trabalhar para o benefício da humanidade oferece um veículo muito valioso para pôr esse interesse em ação. As Comunidades Bahá’ís procuram ampliar a visão de que a humanidade tem que ir mais além do que seu eu material. Da mesma maneira que um viajante visita cidades e países e se familiariza com outras culturas, o espírito humano, mediante as experiências deste mundo, adquire certas características e virtudes à medida que evolui. As amargas experiências da vida e suas provações e problemas são outros tantos problemas para o desenvolvimento pessoal. O consumo de drogas só oferece uma excursão ilusória a um mundo de fantasia, porém não confere conhecimentos nem desenvolve o discernimento.

SENTIDO DO VALOR HUMANO
          O amor próprio e o respeito à dignidade e o valor humano desempenham uma função importante na atitude da pessoa perante si mesma. Um dos fatores mais comuns que caracterizam o uso indevido de drogas no mundo e a perda do amor próprio.
          O sentido do amor próprio e da dignidade se pode cultivar desde a tenra infância e se pode conservar por toda a vida. Foi descoberto que as crianças que têm uma boa opinião sobre si mesmas tendem a atuar de forma que assegure seu êxito: São capazes de perseverar e de continuar resistindo às tensões e a adversidade. As crianças que não têm uma boa opinião de si mesmas reagem de forma totalmente oposta e são os que mais possibilidades têm de sofrer os efeitos destrutivos das drogas.

LIBERDADE
          O verdadeiro significado da liberdade tem sido mal interpretado na sociedade, isto se aplica especialmente aos que consomem drogas, que consideram ter o direito de fazer o que lhes apraz com sua mente e seu corpo; ironicamente, drogar-se, será em última instância o que lhes privará de sua liberdade pessoal.
          A capacidade de avaliar objetivamente as circunstâncias e de postergar a satisfação pessoal imediata em busca de uma meta futura é um sinal de maturidade. A obediência às normas morais reforça essa capacidade de manter a própria disciplina e o próprio controle para poder alcançar metas pessoais. O princípio fundamental da adesão aos preceitos do profeta Bahá’u’lláh (Fundador da Fé Bahá’í) é à base da prevenção do consumo de drogas e do alcoolismo nas Comunidades Bahá’ís de todo o mundo.
          Segundo os ensinamentos bahá’ís é proibido o consumo de bebidas alcoólicas, de estimulantes e de remédios que não sejam tomados com fins medicais. A Fé é o que mantém a vontade pessoal de abster-se dessas práticas.



PARTICIPAÇÃO NO TRABALHO
         A relação de uma pessoa com o meio ambiente é dinâmica e está em constante mudança. Nas Comunidades Bahá’ís cada pessoa é incentivada a buscar excelência em todos os aspectos da vida, especialmente nas artes e na ciência. É incentivada a participação ativa em uma ocupação, e o trabalho em espírito de serviço é considerado como uma forma de culto. Este conceito fomenta a criatividade e o desenvolvimento pessoal e libera o potencial da pessoa para servir a humanidade. Também combate a apatia, o aborrecimento e o sentimento de inutilidade que se encontram entre as pessoas que se drogam.

ORIENTAÇÃO ESPIRITUAL
          A orientação espiritual ajuda as pessoas a desenvolver uma atitude positiva a respeito de si mesmas e de seu meio ambiente. A conseqüência é que encontram sentido na vida e estão em melhores condições de enfrentar-se com situações de tensão.

FUNÇÃO DA FAMÍLIA
          Prevenir o uso indevido de drogas oferecendo um ambiente familiar saudável e uma educação adequada aos filhos reveste de uma importância primordial nas Comunidades Bahá’ís. Uma das responsabilidades dos pais é educar seus filhos inculcando-lhes valores espirituais e morais e ensinando-lhes a enfrentar as duras realidades da vida.
         Abstendo-se de usar álcool e drogas ilícitas, os pais podem dar um exemplo que terá grande influência sobre a atitude de seus filhos a esse respeito. O amor e a unidade no seio de uma família que procura ter excelentes relações, podem transformar-se na força motriz de um enfoque positivo e dinâmico da vida e de seus problemas; os filhos destas famílias aprendem que o consumo de álcool e de drogas ilícitas não é aceitável e que a superação das tensões da vida cotidiana é parte da experiência humana estando associada ao desenvolvimento e a maturidade pessoal.

A SOCIEDADE
         Um dos fatores mais importantes que contribuem ao uso indevido das drogas - um fator que requer cuidadosa consideração - é a atitude da sociedade perante o uso do álcool e das drogas. Não devemos esquecer tampouco a desintegração do sistema de valores tradicionais, o desmoronamento da instituição do matrimônio e da vida familiar, e a dependência pessoal excessiva do poder político e material como fonte de segurança. Ademais, o tráfico ilícito de drogas ilícitas, assim como também a disseminação das substâncias psicoativas pelos meios de informação, tem complicado a tarefa de prevenção.
            Na continuação, apresentam-se alguns pontos que a sociedade deve levar em consideração ao desenvolver um programa de prevenção.
           É necessário aumentar o sentido de amor próprio e de dignidade da pessoa e a necessidade de educar os membros da família sobre o significado da vida e seu objetivo. A educação das crianças deve incluir não só a educação física e intelectual, mas também os aspectos espirituais da vida. Para alcançar progresso e desenvolvimento devem ser reconhecidas as necessidades espirituais e materiais da humanidade.
            É impressionante que o desenvolvimento tecnológico e a orientação materialista da sociedade moderna não só resultaram em um considerável bem-estar físico e material, mas também em uma perda da consciência espiritual. O enfoque do problema dos assuntos e sofrimentos humanos é mecânico e materialista, porque se perdeu a magnanimidade espiritual necessária para o desenvolvimento e o progresso pessoal.
           Como resultado disso a pessoa perdeu o contato com seu verdadeiro eu, e o consumo de drogas é uma tentativa de restabelecer esse contato por meios químicos e de solucionar problemas que têm uma natureza essencialmente humana e espiritual. Por exemplo, a felicidade é um estado da mente que se pode ser alcançar ou se realizar mediante relações pessoais significativas e úteis, mas não pode ser alcançada por nenhuma droga.
           A crescente competição pelo êxito material fomentou uma corrida para o êxito e pouca tolerância diante do fracasso. Por conseguinte, algumas das pessoas que são inseguras ou instáveis emocionalmente buscam no álcool ou nas drogas um refúgio contra a amarga realidade de uma vida competitiva. A cooperação deve substituir a confrontação e o isolamento, permitindo assim que prevaleça um espírito de cooperação e afeto.
           A educação deve ser oferecida às pessoas de todas as idades e de todas as origens sócio-econômicas para ajudá-las a adotar uma atitude mais positiva perante os aspectos físico emocional, intelectual, espiritual e social da saúde. Esta educação deve cultivar um sentido da finalidade da vida, e de incentivar às pessoas a desempenhar devidamente sua parte e a procurar fazer com que seu trabalho contribua para seu próprio bem-estar. Mediante a educação se deve procurar orientar a sociedade a eliminar os sentimentos de alienação e isolamento que levam ao uso indevido de drogas.
           A sociedade deve ajudar às pessoas, particularmente aos jovens, a desenvolver um sentido de identidade a buscar formas positivas de lidar com o aborrecimento e a apatia. A sociedade tem a responsabilidade de oferecer oportunidades para estimular e fomentar a criatividade e o trabalho útil.
           A sociedade deve agir como coadjuvante para que haja menos drogas disponíveis para usos que não sejam médicos ou científicos. Deve estimular as pessoas que servem como modelos (por exemplo, mestres, celebridades e líderes da sociedade) a que levem uma vida sem drogas. Os meios de informação devem oferecer programas de informação e de educação que ajudem a prevenir o uso indevido de drogas e o alcoolismo, e é necessário dissuadi-los que façam publicidade de substâncias psicoativas. É necessário promover a cooperação internacional destinada a circunscrever o cultivo, a fabricação, a distribuição e a utilização de drogas a seu uso médico e científico. Os atuais programas das Nações Unidas para fiscalização do uso indevido de drogas só podem ter êxito se todos os governos e todos os setores da sociedade se comprometer firmemente a trabalhar juntos por esta causa comum.

Fonte: Uma pesquisa do livro “EM BUSCA DO NIRVANA” de um escritor bahá’í sobre drogas.